Exames de sangue simples podem detectar doenças graves

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Os exames laboratoriais devem ser feitos sempre após uma consulta médica, como um complemento da avaliação clínica do paciente. Porém existem alguns exames e pedidos que não podem esperar um desconforto para serem feitos, nesse caso você deve dizer ao seu médico que tem vontade de rastrear esse problema. Ele avaliará sua idade, histórico familiar e outras doenças relacionadas, tudo para definir se há ou não a necessidade de fazer aquele exame e analisar os resultados com propriedade. Separamos alguns exames muito simples de serem realizados e que podem detectar problemas graves. Confira a lista e converse com o seu médico.

HIV

fita vermelha aids - Foto: Getty Images

O rastreamento da Aids ainda é um assunto delicado e difícil de ser feito no Brasil. Segundo o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, estima-se que 530 mil pessoas vivam com HIV/Aids no país, sendo que 135 mil dessas pessoas não sabem que portam o vírus ou nunca fizeram o teste. O exame para rastreamento do HIV é a principal estratégia para o acesso ao diagnóstico. O exame é feito geralmente pela coleta de sangue ou outros fluídos corporais, como a saliva. Através dessa amostra se faz a pesquisa de anticorpos anti-HIV.
Entretanto, o vírus não afeta apenas essas pessoas, e deveria ser feito pelo menos uma vez naqueles que não se enquadram nesses grupos. Com a detecção precoce, afirma o especialista, é possível encontrar melhores resultados terapêuticos, cuidar para não transmitir a infecção aos parceiros e até mesmo conseguir melhores prognósticos, podendo inclusive impedir uma manifestação grave da doença. O teste é rápido e oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e seu médico pode fazer o pedido do exame se você expressar essa vontade na consulta. Caso você ainda não se sinta confortável para conversar sobre esse assunto no consultório, e ainda sim quer fazer o exame, experimente doar sangue – antes da doação, seu sangue é testado para diversas doenças que podem ser transmitidas pelo sangue, incluindo a presença do HIV.

Hepatite C

transfusão de sangue - Foto: Getty Images

De acordo com o Fundo Mundial para a Hepatite da Organização das Nações Unidas, cerca de 500 milhões de pessoas no mundo está infectada com os vírus para hepatite B e C, e apenas 5% delas sabem que tem a doença. No Brasil, existem cerca de 1,5 milhão de pessoas infectadas pela hepatite C, doença responsável por 70% das hepatites crônicas e 40% dos casos de cirrose, segundo dados do Ministério da Saúde.

As formas crônicas das hepatites B e C raramente apresentam sintomas fortes. Depois do início, não há sintomas por 20 a 30 anos, até que apareça cirrose ou câncer de fígado. Esse é o grande problema da doença, que é silenciosa por muito tempo. De acordo com o fundo da ONU, as pessoas nascidas entre 1945 e 1965 devem fazer o teste da hepatite C pelo menos uma vez na vida, pois têm cinco vezes mais chances de estarem contaminadas. Isso porque a doença é transmitida pelo sangue, como transfusões, sexo sem proteção, compartilhamento de agulhas e etc – e nesse período os cuidados com a higiene e a sorologia para verificar a existência do vírus no sangue doado ainda não tinha sido desenvolvida. O exame é importante para a prevenção de uma doença mais grave, pois uma vez identificado o vírus, é possível controlá-lo e impedir complicações.

Colesterol alto

coração e estetoscópio - Foto: Getty Images

Esse é outro exame de sangue simples de fazer, o de colesterol e frações. Ele possibilita ao médico avaliar índices importantes como o colesterol (tanto o LDL, o colesterol ruim, quanto o HDL, conhecido como bom colesterol) e o perfil lipídico, que revela se há ou não risco para aterosclerose, AVC ou hipertensão arterial. Esse é um exame que pode ser feito em qualquer época da vida, uma vez que o colesterol também não apresenta sintomas, podendo se manifestar já na forma de uma doença mais grave, como o infarto. A recomendação se intensifica para pessoas com mais de 40 anos ou então aqueles que possuem histórico de doenças cardiovasculares.

Distúrbios da tireoide

médica examinando a tireoide de paciente - Foto: Getty Images

Enquanto o colesterol alto, a hepatite e a Aids não apresentam sintomas antes de atingirem gravidade, as desordens da tireoide enganam pela simplicidade e variedade de sinais. Cansaço, calor excessivo e insônia são algumas das manifestações de problemas com esse órgão – e quem não se identifica com pelo menos um desses sintomas? Por isso é comum que pessoas com problemas na tireoide suspeitem de outras doenças, demorando a pesquisar o problema corretamente. Os hormônios da tireoide são responsáveis pelo nosso metabolismo basal: eles estimulam nossas células a trabalharem e garantem que tudo funcione corretamente em nosso corpo. Quando produzimos esses hormônios em excesso (hipertireoidismo), o metabolismo passará a funcionar de forma acelerada. É como se o organismo fosse uma máquina a vapor que está recebendo mais carvão que o normal, passando a trabalhar rapidamente. Quando a tireoide não está produzindo quantidade suficiente de hormônios (hipotireoidismo), o metabolismo fica mais lento. Devido a essa dificuldade no diagnóstico, o exame de TSH é importante para verificar se há alguma alteração significativa no funcionamento da tireoide que precise de tratamento. Com a análise clínica do médico com base no perfil do paciente, é possível entender se algumas das dificuldades são causadas pela tireoide. Os distúrbios da tireoide são mais comuns em mulheres e ficam mais incidentes com o passar da idade, por isso, se você tem mais de 50 anos, é bom considerar fazer esse exame.

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Alterações na próstata

exame de sangue - Foto: Getty Images

Nesse caso, existem dois exames muito importantes para identificar possíveis problemas no órgão, incluindo o câncer de próstata. Existe a dosagem de PSA, que analisa a proteína de mesmo nome. Uma próstata normal produz essa proteína normalmente, mas uma pessoa que tem um tumor pode produzir em maior quantidade. Entretanto, apenas o exame de PSA não é conclusivo para o diagnóstico de câncer de próstata, uma vez que ele pode ser falho. De 24 a 40% dos tumores não apresentam altas dosagens da proteína PSA, não sendo detectados pelo exame. Outro cenário é quando o exame apresenta resultado anormal, mas a alteração na próstata em si não representa um problema e, portanto, não irá necessitar de tratamento.

Por isso o exame de toque também deve ser feito preferencialmente, e se possível em conjunto com o PSA. O exame de toque retal dá informações adicionais sobre a próstata, ainda que não relacionado à doença maligna, como a hiperplasia prostática benigna. Além disso, o exame de toque também possibilita encontrar pólipos e fazer retirada de pele para biópsia.

Os homens precisam fazer o exame de toque anualmente a partir dos 50 anos, pois é a partir dessa idade que a incidência de alterações aumenta. Antes desta idade o exame pode ser recomendado pelo médico para pessoas sintomáticas ou pessoas de alto risco para a doença, como obesidade e parentes de primeiro grau com o diagnóstico da doença. A recomendação atual da Associação Americana de Urologia é de que homens entre 40 e 54 anos sejam submetidos a avaliação prostática com PSA e toque retal se apresentarem fatores de risco para o câncer de próstata, caso contrário, a avaliação prostática de rotina deverá ser realizada em homens a partir dos 50 anos. Entretanto, homens em idade muito avançada – expectativa de vida abaixo dos 10 anos – que não apresentam sintomas e nunca tiveram diagnóstico para câncer de próstata podem receber dispensa do exame pelo médico, sob a justificativa de que o diagnóstico nessa idade pode não beneficiar o paciente, pois o tratamento poderá ser muito exaustivo e pouco efetivo para alguém cuja expectativa de vida já está baixa. Um exemplo: um homem que já tem 90 ou 95 anos não se beneficia tanto do diagnóstico quanto um homem mais jovem, pois o tratamento para o câncer pode ser debilitante. Entretanto, tudo deve ser conversado adequadamente com um médico.

Doenças renais

mulher com dor na região dos rins - Foto: Getty Images

As doenças renais também podem demorar anos para apresentar algum sintoma, quando já atingem certa gravidade. Por isso, o exame de creatinina é importante para avaliar a função dos rins, uma vez que quanto maiores são os níveis de creatinina, menos eficiente está o rim. A creatinina é uma substância serve de suporte para fazer o cálculo da taxa de quanto o rim consegue filtrar das impurezas que estão passando ali. Pacientes com hipertensão, obesidade e diabetes estão em maior risco para lesões e infecções nos rins, bem como a insuficiência renal. Outras indicações para o exame de creatinina incluem histórico familiar de doença renal, pedra nos rins ou infecção urinária.

Doenças do sangue

tubo de sangue - Foto: Getty Images

O primeiro nome que vem à cabeça é anemia ferropriva, ou deficiência de ferro, quando se fala em doenças que afetam o sangue. Entretanto, existe uma série de doenças que podem ser identificadas pelo sangue ou interferir em seu metabolismo de alguma forma. Um exemplo é a hemocromatose, que é uma hiperabsorção de ferro pelo organismo, podendo afetar diversos órgão do corpo, como o fígado. Para identificar esses problemas, você pode pedir ao seu médico para fazer o hemograma, incluindo saturação de transferrina, ferritina e ferro.

Além disso, o sangue também abriga outras substâncias que, quando em quantidades alteradas, podem sinalizar a presença de uma doença, como alguns tipos de câncer. Nesse caso, a pedida é a eletroforese de proteínas, um método que permite separar as proteínas do plasma humano em frações, podendo assim mensurar suas possíveis alterações. Pessoas acima dos 40 anos são mais indicadas para fazer esses exames, ou então pessoas que tenham sintomas ou fatores de risco para a anemia, por exemplo.

Fonte:Portal Minha Vida

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